sábado, 14 de setembro de 2013

Aquele adeus

Ela olhava o tempo chuvoso pela janela do seu quarto.
E pensava: ‘Como o tempo está propício para despedidas, até parece uma piada obscena, humor negro dos céus.’
Se concentrou naquela varanda molhada de chuva e sorriu para uma lembrança que não iria mais se repetir.
Aquela tarde de sol, aqueles olhares cúmplices  aquelas risadas bobas, aquela magia das primeiras descobertas, nada daquilo se repetiria mais…
Até os céus choram por você…’, pensou olhando novamente a expansão coberta de negras nuvens que vertiam suas gotas sem parar.
Suspirou, enxugou do rosto pálido as lágrimas que insistiam em rolar a cada segundo desde que acordara naquela manhã de uma noite mal dormida e pesarosa.
Andou lentamente até o closet e resolveu usar aquele vestido simples que o seu anjo amava… ‘Uma última homenagem a você’, pensou ela.
Se arrumou, da forma como ele a gostava de ver, olhou uma última vez pela janela, pedindo forças para continuar…
Suspirou novamente, ‘Preciso ir, todos me esperam antes de prosseguir…’, ao pensar nisso se encaminhou a porta do quarto e a abriu para a despedida final.
Desceu os degraus devagar, caminhou lentamente por entre as pessoas que a olhavam com dó, sentiu uns toques e palavras andavam pelo ar, mas ela não prestou atenção em nada, apenas seguiu caminhando para sua missão mais dolorosa.
Antes de ver seu anjo deitado naquela caixa inglória  o viu sorrindo lindamente na moldura de um retrato, sentiu como se seu anjo estivesse lhe dando forças para continuar…
E foi segurando aquele sorriso nos olhos que ela conseguiu caminhar lentamente até a caixa que guardava o corpo de seu anjo… Ele estava tão tranquilo, parecia esta dormindo com aquele semblante sereno que só ele tinha…
Por que você me deixou?’ - Sussurrou a menina debruçada sobre o peito de seu anjo.
Me diz, como vou continuar agora, se você não está aqui pra segurar minha mão?
E acariciou aquele rosto que já foi tão sorridente, seu anjo agora dormiria para sempre… Escutou a risada, a voz, as brincadeiras sem graça de seu anjo povoando a sua mente, e sorriu por entre as lágrimas.
Sinto sua falta’ - Sussurrou novamente…
Eu sei que sempre estará comigo, não te culpo por ter partido tão cedo, você continua e sempre estará vivo, aqui dentro de mim, no meu coração, na minha mente, na minha alma, no meu ser.
Eu sei que você não queria minha tristeza, mas me desculpa por querer senti-la, por querer chorar a partida de meu anjo.
Então debruçou o rosto no peito de seu anjo e chorou, sem perceber a comoção que estava gerando na sala, por entre as pessoas que tentavam, em vão, tirá-la dali…
Chorou todas as lágrimas que pode, num canto lamuriento de quem perde metade de si…
E foi se acalmando, ali mesmo, no peito sem vida do seu anjo…
Levantou o rosto para fitar uma última vez aquele que povoou toda sua vida ate agora, aquele rosto que estava em todas as suas lembranças, acariciou lentamente como se o visse apenas dormindo.
‘Eu amo você’ - Sussurrou antes de deixa-lo ir, pra sempre.

A: Isis 
(E como você me faz falta ainda hoje...)

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