domingo, 15 de setembro de 2013

Carta a um pai ausente

Fazem alguns anos desde a última vez que te vi, eu ainda era uma garotinha linda, de olhos castanhos brilhantes e sonhadora; eu ainda acreditava que príncipes andavam em cavalos brancos, que fadas existiam, que papai noel vinha na noite de Natal trazer brinquedos para todas as crianças; eu ainda era ingenuamente feliz.
Fazem alguns anos que espero que cumpras as últimas palavras que escutei de você: ‘eu volto pra te ver, prometo.’ e nunca voltou… lembranças ganharam tons de sépia na minha memória, seu rosto hoje é só um borrão perdido, indecifrável numa época longínqua. 
Tua ausência fez silêncio em minha alma, em meu ser; fez ventania onde havia calma; fez tempestade onde havia quietude; fez dor onde havia sorrisos; fez lágrimas onde havia segurança; fez carente a criança feliz.
Foste falta, lacuna, algoz de uma criança indefesa, negou proteção, carinho, abraços, conversas, brigas, segurança, apoio para sua filhinha, aquela menininha que carregou nos braços quando ela nasceu e se emocionou ao perceber a semelhança com você; aquela que você escolheu o nome.
Perdeste os melhores anos da vida dela, as descobertas, as dores, as decepções, as alegrias.
Essa menina cresceu, desabrochou, porem incompleta, insegura, triste pois sempre se sentiu metade, um quase na vida, quase amada, quase pertencendo a algum lugar, quase feliz.
A única pessoa que poderia faze-la inteira a abandonou, o seu próprio pai, quebrando sonhos, promessas e um frágil coração.
O seu pai foi o seu algoz e executor, o seu pai não a amou…


A: Isis

Nenhum comentário:

Postar um comentário